quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Inferno - Canto IX, 1-63 - Dante Alighieri


Megera, Aleto e Tesífone diante de Dante e Virgílio - Gustave Doré



Quel color che viltà di fuor mi pinse
veggendo il duca mio tornare in volta,
piú tosto dentro il suo novo ristrinse.
Attento si fermò com’ uom cha’ascolta;
ché l’occhio nol poeta menare a lunga
per l’aere nero e per la nebbia folta.
«Pur a noi converrà vincer la punga»,
cominciò el, «se non… Tal ne s’offerse.
Oh quanto tarda a me ch’altri qui giunga!»
I’ vidi ben si com’ ei ricoperse
lo cominciar con l’altro che poi venne,
che fur parole a le prime diverse;
ma nondimen paura il suo dir dienne,
perch’ io traeva la parola tronca
forse a peggior sentenzia che non tenne.
«In questo fondo de la trista conca
discende mai alcun del primo grado,
che sol per pena ha la speranza cionca?»
Quenta questi o fec’io; e quei «Di rado
incontra», mi respuose, «che di noi
faccia il cammino alcun per qual io vado.
Ver è ch’altra fiata qua giú fui,
congiurato da quella Eritón cruda
che richiamava l’ombre a’ corpi sui.
Di poco era di me la carne nuda,
ch’ella mi fece intrar dentr’ a quel muro,
per trane un spirto del cerchio di Giuda.
Quell’ è ‘l piú basso loco e ‘l piú oscuro,
e ‘l piú lontan dal ciel che tutto gira:
ben so ‘l cammin; però ti fa sicuro.
Questa palude che ‘l gran puzzo spira
vigne dintorno la città dolente,
u’ non potemo intrare o mai sanz’ ira.»
E altro disse, ma non l’ho a mente;
però che l’occhio m’avea tutto tratto
ver’ l’alta torre a la cima rovente,
dove in un punto furon dritte ratto
tre furïe infernale di sangue tinte,
che membra feminine avieno e atto,
e con idre verdissime eran cinte;
serpentelli e ceraste avien per crine,
onde le fiere tempie erano avvinte.
E quei, che ben conobbe le meschine
de la regina de l'etterno pianto,
«Guarda», mi disse, «la feroci Erine.
Quest’ è Megera dal sinistro canto;
quella che piange dal destro è Aletto;
Tesifón è nel mezzo»; e tacque a tanto.
Con l’unghie si fendea ciascuna il petto;
battiensi a palme e gridavam sí alto,
ch’i’ mi stronzi al poeta per sospetto.
«Vegna Medusa: sí ’l farem di smalto»,
dicevan tutte riguardando in giuso;
«ma non vengiammo in Tesëo l’assalto.»
«Volgiti ‘n dietro e tien lo viso chiuso;
ché se ‘l Gorgón si mostra e tu ‘l vedessi,
nulla sarebbe di tornar mais suso.»
Cosí disse ‘l maestro; ed elli stessi
mi volse, e non si tenne a le mie mani,
che con le sue ancor non mi chiudessi.
O voi ch’avete li ‘intelleti sani,
mirate la dottrina che’ s’asconde
sotto ‘l velame de li versi strani.




Medusa - Franz von Stuck




A cor do fraquejar que ali me prostra,
vendo o guia voltar, já se permuta
mais cedo em nova cor que ele me mostra.
Parou atento como alguém que escuta;
que os olhos não podiam ver além,
por ar tão negro e névoa espessa. «A luta
teremos de vencê-la», diz também,
«se não… A tal alguem se ofereceu:
oh, quanto tarda se nos junte alguém!»
E como retomou depois, vi eu,
o começar co resto que após vinha,
mas com falar diverso desse seu;
mas não menos pavor teve a alma minha:
que na palavra tronca pus receio
de sentido pior do que o que tinha.
«Ao fundo desta triste concha veio
jamais do primo grau buscar abrigo
quem pena só com esperança a meio?»
Esta questão pus eu: «Ora te digo,
raro se encontra », disse, «algum de nós
que faça este caminho por que eu sigo.
É certo que outra vez aqui me pôs,
conjurado daquela Éricto crua
que a sombra aos corpos convocava atroz.
Era inda há pouco a minha carne nua,
e ela me fez passar aquele muro,
té Judas, por uma alma à esfera sua.
É o lugar mais baixo e mais escuro,
mais distante do Céu que tudo gira:
sei bem que a via; e tu fica seguro.
Este palude que ar podre respira
a cidade em redor cinge dolente,
lá não se pode entrar jamais sem ira.»
E disse mais, mas não o tenho em mente;
que o meu olhar voara todo lesto
à alta torre em cujo cimo ardente,
de súbito se elevam, num só gesto,
três fúrias infernais, sangue tingidas,
que tinham membros feminis e apresto
e eram de hidras verdíssimas cingidas;
suas crinas cerastas, serpentinhas,
por sobre as feras têmporas unidas.
E ele, que bem soube das mesquinhas
da rainha daquele eterno pranto:
«As ferozes Erínias eis vizinhas.
Esta é Megera do sinistro canto;
e chora Aleto ao seu lado direito;
Tesífone é no meio»; e cala entanto.
Com as unhas as três fendem o peito;
batem co as mãos, põem-se a gritar tão alto,
que ao poeta me cingiu temor suspeito.
«Venha Medusa e diga: “já te esmalto!”»,
uivam todos olhando do seu posto:
«mal vingaremos de Teseu o assalto.»
«Volta-te atrás e põe fechado o rosto:
se a Górgona viesse, quem na visse,
não mais em seu regresso fora posto.»
E o meu próprio mestre, enquanto o disse,
me voltou, não bastando a minha mão,
que das suas ainda me cobrisse.
Ó vós que tendes o intelecto são,
vede a doutrina que o velame esconde
destes versos estranhos que aqui vão!





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