sábado, 8 de outubro de 2016

Do Que Nunca Termina


My Pain - Virgin Black


as feridas estão gangrenando,
mas há eras a alma já está
amputada;

amputada basicamente desde
que toda mortalha foi erguida
na existencial estrada;

estrada que se comporta como
o amaldiçoado calvário
de todos os desesperados;

desesperados que vêem tudo
incessantemente desaparecer
com o passar do carrasco tempo;

tempo a levar pais e mães,
irmãos e irmãs, tios e tias,
avós e avôs, primos e primas;

tempo a levar filhos e filhas,
casamentos e casos,
amores e desamores;

tempo a levar amigos e inimigos,
a infância e a juventude,
a maturidade e a velhice;

tempo a levar os ossos e o pó,
o caixão e a cova,
o nosso nome e sobrenome;

e sobre nossos nomes ficam
as lembranças que os séculos
fazem questão de apagar;

apagar com a borracha eterna
da força dos acontecimentos
que movem esta esfera;

esfera mais de feras do que
de homens e mulheres voltados
para a conquista da verdade;

verdade tal que nos arrebate
para uma condição melhor do que
se encontra agora toda gente;

gente cega e tola, imbecil
e decadente, servil e demente,
fracassada e doente;

doente de dores presentes
no passado, no futuro
e neste presente;

presente cheio de festas onde
somos presenteados como
perturbadas famintas crianças;

crianças de espúria índole
seduzidas pelo desencantante
covarde ritmo da contemporaneidade;

contemporaneidade que mais afirma
termos nenhuma chance contra
as Hostes da Deusa Dor;

Deusa Dor que nos governa,
Deusa Dor que nos completa,
Deusa Dor que nos carrega;

Deusa Dor que nos determina,
Deusa Dor que bos aglutina,
Deusa Dor que nos classifica;

Deusa Dor que nos vigia,
Deusa Dor que nos corrige,
Deusa Dor que nos centraliza;

centraliza no meio das caóticas
tempestades do que nunca termina
em nosso errôneo existir:

o amargo café servido na mesa
de todas as refeições prováveis
das calamidades de nosso Ser.

Inominável Ser
QUE NUNCA
TERMINA




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