segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Nós, Os Poetas Malditos


Poéme Maudit - Santiago Caruso


Caminhamos dentro
Do Fogo Infernal,
O Nobre Satan
É nosso companheiro
Mais fiel
Nas madrugadas
De inspiração
E de fel
Ao som
Da adversária música
Das Celestes Esferas
Cheias de mentiras
Que inspiram altares
E palavras
Que abortam
Toda razão
E toda verdade.


A Luz
De Lúcifer
É um facho
E um farol
Que seguimos
Na Noturna
Estrada
Arrancando
Dos firmamentos
O Fogo
Da Proibida
Sabedoria
Que condenou
Prometeu
E pulverizou
Ícaro.


Do Diabo
Recebemos
O Cetro
Do Reinado
Nas Profundezas
Dos Infernos,
Desafiando
O Demiurgo
E sua trupe
De Escravizadores
Das Humanidades
Com nossas artes
Destemidas
E ferozes.


Contamos cada grão
Da infinda areia
Do Grande Deserto,
Onde Reina Lilith,
A nossa
Obscura Musa
Maior
Cuja Vulva
Se Abre
Para nós
Derramando
O Eterno Gozo
Inspirador
E O
Eterno Sangue
Provedor
Do Sonho,
Do Prazer,
Do Orgasmo
E Da Perdição.


Corremos junto
Aos lobos
De Hecate
Na Grande Noite,
Saboreando a carne
Das vitimas
Sem nome
Que caçamos
E devoramos.


Compartilhamos
Da Taça Gloriosa
De Babalon,
Bebendo
O Sangue
De Santos
Decapitados,
Bebendo
O Sangue
De Anjos
Degolados,
Bebendo
O Sangue
De Virgens
Esquartejadas.


Dançamos
Com o
Grane Orixá
Exu
No Cósmico
E no
Anti-Cósmico,
Acompanhando
As Noturnas Giras
De Todas
As Entidades
Que Se Encontram
Na Grande
Encruzilhada.


Traçamos
Círculos Dourados
E Prateados
Nos Umbrais
Do Maioral,
Como Kimbandas
De uma Tribo
Que não é
Do Bem
E nem é
Do Mal,
Livres
Da moralidade
E da amoralidade
E da feiúra
Da mortandade
Das travas
Morais
E amorais.


Encaramos
A Senhora
De Êxtases,
A Senhora
De Ossos
E A Senhora
De Sombras,
Nos unindo
À Assembléia
Dos Imortais
Nas Auroras
De Sangue,
De Morte
E De
Renascimento.


Bebemos do veneno
Das Noturnas Criaturas
Que nos rondam,
Ouvimos os gritos
Das Górgonas,
Sentimos as agonias
Dos Trevosos,
Tocamos no ódio
Dos Bestiais,
Fazemos coro
Com as canções
Sempre entoadas
Pelos Espíritos
Das Trevas
Em nosso redor.


Acumulamos todo
O peso do pó
Das histórias
Esquecidas,
Desenterrando dos
Cemitérios inteiros
De extintos povos
E vozes
Os Ritos Proibidos
Do Maldito Verbo
Das Eras.


O Abismo
É nossa
Maior Morada,
A Cova
É nosso
Maior Leito,
Somos eremitas
Olhando para tudo
Como estranhos
Em um ninho
De apodrecida
Decadência
Desgraçada
Contemporânea.


E continuamos
Nos arrastando,
Belzebuth
E Astoreth,
Erekshigal
E Baphomet,
Nahemah
E Astaroth,
Nos acompanhando
Ao lado
De Deuses Mortos
E Musas
Estupradas
Por Cronos.


E nós mesmos
Somos frutos
Dos estupros
De Cronos,
Idiossincrasias
Em uma tola época
De gente
Medíocre vazia,
Anomalias
Que vêem
A cadavérica verdade
Da atual
Humanidade,
Anacronismos
Ambulantes
Nesta Terrestre
Hora
Caótica.


Estamos nus
Diante das praias
Da Insanidade,
A Deusa Loucura
Uiva em nós
Com voracidade,
A Deusa Maldição
Aproveita
E nos provoca
Cataclismas
Vorazes.


Enquanto isso
Tudo ocorre
No fantástico mundo
Onde somos
Passo a passo
Moldados,
Transmitimos em versos
As mensagens
Que chegam de todos
Os lados,
Lodos,
Buracos,
Charcos,
Pântanos,
Esgotos,
Lixeiras,
Cemitérios,
Cavernas,
Abismos milenares…


Mas,
Escrevemos na areia,
Nossos versos
São apagados
Pelas ondas dos mares
Da Crueldade
De Cronos,
O Carrasco Pulsante
E Ativo
Da Eternidade,
O Único Deus
Que Nunca
Morrerá
E Sempre Estará
A Devorar
Todos Os Seres.


Escrevemos
E somos lidos
Por quem?


Escrevemos
E somos apreciados
Por alguém?


Escrevemos
E somos amados
Por uma multidão?


As respostas
Bem sabemos
E cada uma delas
É a nossa
Maior
Maldição.


Inominável Ser
UM INOMINÁVEL
POETA
MALDITO
A TODOS
OS POETAS
MALDITOS





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