domingo, 6 de novembro de 2016

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Art by Isabella Chiara Filouino


Nascentes pesadelos me atormentam
como o parto de monstros
que Estranhas Senhoras realizam
nas Vastidões Abismais…
Sou agarrado
pelo pescoço,
chamado à guilhotina
onde sou decapitado
por fantasmas em uma
eterna orgia…
Um caralho de absurdos arremata
contra meus pés sendo cortados
por machados possantes
nas mãos dos
Inessenciais Carrascos…
Eu vejo todas as
desgraças,
todas as
misérias,
todas as
maldições
deste mundo inteiro
que é um
Existencial Aborto…
Eu vejo agora…
E também vejo agora
cada aborto de verdades,
cada aborto de felicidades,
cada aborto de esperanças,
cada aborto de justiça,
cada aborto de soluções,
cada aborto de tudo
próximo a alguma solução
nos humanos corações…
E todas aquelas Aberrações
Trevosas,
As Estranhas Senhoras,
estão partindo para darem à luz
diversos outros tipos de Aberrações
nas entradas e saídas
de todas as moradas…
Que porra sentir isso tudo daqui…
Que porra ver tudo isso daqui…
Que porra não poder fazer nada…
Que porra…
Que porra…
Que porra…
O bebê em meu útero,
minha Aberração,
meu Eterno Monstro,
está para nascer a toda hora
e nasce a toda hora…
E eu sempre estrangulo
esse bostinha do caralho
bastante deformado,
fodidamente horroroso,
uma merda idêntica a mim mesmo,
um merda misto de
escritor & poeta & livre-pensador
& blogueiro & punheteiro,
e o devoro com Pepsi
em uma mesa farta
de carne sangrenta,
frutas amargas
e ervas venenosas…
Não nasci para ser pai.


Inominável Ser
UM ESTRANHO
SENHOR




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