terça-feira, 8 de novembro de 2016

Insônia & Estranhos


Melancholy - Barry James Lent


A insônia me deprime,
me oprime,
me obsedia,
é a desgraçada ratazana
que não come o veneno
que ponho para ela
com muito carinho…


E com a insônia
chegam Estranhas Companhias…


Insone,
eu vou ao pico dos desejos
que me destratam,
penso em tudo,
penso em todos,
penso em todas…


E com a insônia
chegam Estranhos Versos…


Insone,
meu pesadelo desperto
me leva a um suicidado
sonho de infância
a cada madrugada,
são tantos estes sonhos
que me transformam em
vales de lágrimas…


E com a insônia
chegam Estranhas Vozes…


Insone,
vejo mais do que devo,
ouço mais do que quero,
cresço mais do que aparento,
sinto um nada mais do que
usualmente remendo…


E com a insônia,
chegam Estranhos Contatos…


Insone,
abordo mundos em chamas,
aborto valores em tralhas,
jogo dados com o Diabo,
jogo xadrez com a Deusa Morte,
toco nas mãos da Deusa Solidão,
repouso ao colo da Deusa Melancolia…


E com a insônia,
chegam Estranhas Verdades…


Insone,
alimento minha angustiada alma
com uma decadente saudade,
uma pontada de dor dilacerante
em meu Ser tão estranho,
tão sombrio,
tão caótico,
tão frio,
tão tão tão tão tão
arruinado…


E com a insônia,
chega O Estranho Inominável


Insone,
antigas memórias de outras
inglórias vestes chegam numerosas
e ruidosas,
trazidas pelo meu próprio
estranhamento em relação a esta
atual veste…


E com a insônia,
chega O Mais Estranho Do Estranho…


Insone,
erro por misticas encruzilhadas,
rumo a destroçadas montanhas,
encontrando os Noturnos Estranhos,
minha estranha gente,
meu estranho povo,
meus estranhos irmãos,
tão adeptos desta melancolia
muito mais do que assassina
quanto eu…


E com a insônia,
chega A Estranha Aceitação…


Insone,
adormeço para o mundo inteiro,
um mundo que me consome.


Inominável Ser
UM INVETERADO
INSONE
INOMINÁVEL




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