sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Minha Malandra


Art by Emerico Imre Toth


Minha Malandra
Tem um gingado,
Um requebrado de
Inumeráveis passos dados
Para todo lado,
Para cima,
Para baixo!


Minha Malandra
Tem uma astúcia,
Um jeito cativante
De ser arguta,
Um jeito maravilhoso
De ser faceira!


Minha Malandra
Tem uma faca,
Balança a lâmina
Com jeito de mestra,
Corta fundo
Quem anda na linha
Torta!


Minha Malandra
Tem mais uma faca,
Sai lutando
Como leoa sorrindo,
Sai levando
Todo invisível
Bandido!


Minha Malandra
Dá sempre gargalhadas,
Aos batuques se junta
Sambando junto
Com as mulatas,
Aos batuques se junto
Sambando junto
Sem perder a gira!


Minha Malandra
Sempre sai por cima
Dos que se acham espertos,
Corta fundo
Quem a confronta,
Deixa no chão
Quem a empurra!


Minha Malandra
Dá um giro
E abre tudo,
Dá outro giro
E fecha tudo,
Dá mais um giro
E quebra tudo!


Minha Malandra
Continua girando
E levanta tudo,
Continua girando
E segura tudo,
Continua girando
E protege tudo!


Minha Malandra
Tem sangue no olhar,
Sangue para quem
Nos pés dela
Pisar,
Sangue para quem
For inconveniente
E a contrariar!


Minha Malandra
Vem esse um lugar
Onde tudo era
Festa,
Onde tudo era
Guerra,
Onde tudo era
Dançar!


Minha Malandra
Acende um charuto,
Dá baforadas
Pondo tudo de ruim
Na merda,
Pondo tudo de bom
Nas minhas metas!


Minha Malandra
Bebe uma cachaça,
Derrama um pouco
No chão
Para O Senhor
Dos Caminhos,
Derrama um pouco
No chão
Para O Senhor
Das Encruzilhadas!


Minha Malandra
Não perde o ritmo,
Se aproxima agora
Do meu ouvido esquerdo
E soa como a dona
De uma voz calorosa
Como verão nascendo:


“Agita,
Seu moço,
O tempo tá correndo,
Teus prêmios
Tão chegando,
Paciência é o nome
Do jogo que te
Ensino”


Ela gargalha
Como se fosse
Um sol
Explodindo!


Minha Malandra
Segue no ritmo,
Se aproximando aí
Do seu ouvido esquerdo,
Falando com aquela
Mesma voz de fogo
Que falou comigo:


“Garanto a paz,
Seu moço,
Sua moça,
É só me chamar
Na encruza
Com uma garrafa
De cachaça,
Um charuto,
Uma vela branca
E no rosto
Um sorriso!”


Ela gargalha
Com mais força
Ainda,
Um calor se eleva
E seu sapatear
Agora segue
A lira!


Minha Malandra
Se despede,
Ouço passos lá
Para fora,
Mas tenho tempo
Para uma saudação,
Uma saudação
Para uma grande amiga
Das Luzes
E Das Trevas:


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


SALVE
TUA BANDA
MINHA MALANDRA!!!


Inominável Ser
SAUDANDO
A MALANDRA
QUE O ACOMPANHA




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