segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A Santa - Goes Mariano



A santa enfim abriu a sua cela
E num rompante que ninguém traduz
Rasgou o casto manto que foi dela
Entregou-se despida em plena luz.

A noite negra, extasiada ao vê-la
De mãos erguidas, em brancas largas palmas
Teve um gozo frenético de estrelas
Jorrando chuvas em pétalas de almas

Soltando os braços foi viver a vida
Pela mais funda e lúgubre descida
Foi se tornando cada vez mais mansa

E acabada a missão, serenamente
A santa adormeceu em paz, contente
Como dorme no céu uma criança

Anjos urbanos
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