quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

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Art by Maurizio Barraco


Não há tempo
para este espaço
ressequido.
Não há espaço
para este tempo
corroído.
Eu me antecipo
às batidas do
relógio quebrado
na mesa de vidro.
Eu me direcionou
ao desconforto
da cadeira de ferro
do hospital mais
sujo em tudo.
A entrega é surpreendente,
uma entrega aos delírios
de minha cansada mente,
aos trilhos furados
de meu torturado corpo,
aos abismos tenebrosos
de minha horrenda alma…
Entrega sem alicerces
de sustentação,
estou caindo insanamente
aos pés de alguma
carniceira multidão…
São pés demais.
Pés dementes.
Pés monstruosos.
Pés doentes.
Pés revoltosos.
Pés que me pisoteiam
na saída do mercado
de rugas dos homens
e mulheres
mais fracassados.
Eles me pisoteiam
porque me recuso
a ser um enrugado
fracassado.
Eles me pisoteiam
porque minhas rugas
começam a gritar
para que eu admita
o meu fracasso.
Eles me pisoteiam…
E sempre me levanto,
dou bom dia a todos
e sigo meu caminho
inominável.


Inominável Ser
INOMINAVELMENTE
CAMINHANDO




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