quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

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Art by Maurizio Barraco


As manhãs acordam comigo,
as cinzas caem de mim quando
me ergo da minha cova para
mais um dia sob a incômoda
luz solar.
Tenho que andar muito ainda,
insistindo nessa terra louca
de vertiginosos erros
chamada humano mundo
por todos os musicais enredos
dos humanos lábios.
Para que continuar me erguendo
se no fim irei deitar
e não mais levantar
quando minha definitiva hora
bater na porra da tampa
do meu caixão?
Para que tanto lutar por
um amaldiçoado lugar
entre os malditos pares
de duas patas em meu redor
se uma onipotente patada
vai me lançar um dia para
as Trevas de onde sou?
E tudo que moldei
vai ficar por aqui mesmo,
lido por outros zumbis
caminhantes abaixo do sol,
zumbis para os quais estes
abismais versos de Coveiro
são destinados.
Tudo vai ficar,
eu sei disso com tensa
transparência total,
para os que saberão valorizar
estes enterros que agora
aqui estão.
Isso no Futuro,
agora tenho que me erguer
mais uma vez daqui,
encarar o sol de frente
a me agredir
e fingir uma vez mais
que vivo estou.
Neste quesito de fingir
respirar o monóxido
de merda que hoje está
no ar,
sou um grande ator
que um dia ganhará
o troféu da Cadavérica:
meus ossos em pó.
Assim como você,
nobre Coveira fingidora,
nobre Coveiro fingidor.
Assim como você,
visitante virtual fingidor.
Assim como todos
da Terra,
um mundo de atores obrigados
a encenarem peças de dramas
e comédias abaixo do sol
fingindo viver,
todo dia se erguendo da cova,
mas,
querendo não se erguer dela.

Inominável Ser
SENTADO
NA COVA DELE




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