sábado, 17 de dezembro de 2016

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Eu sou aquele cachorro abandonado
no meio de uma estrada qualquer,
aguardando o atropelamento que me
retire deste estado de cadáver
andando para todo lado com
uma fome nunca saciada
e uma sede interminável…
Meus latidos são muitos
e ninguém ouve…
Meus uivos são muitos
e ninguém ouve…
Meu rabo é muito abanado
e ninguém vê…
Meus pêlos estão imundos
e ninguém vê…
Minhas patas estão quebradas
e ninguém se importa…
Meu corpo todo tem feridas
e ninguém se importa…
Eu sou aquele cachorro abandonado,
muito cheio de fome,
muito cheio de sede,
muito cheio de tudo,
muito cheio de todos,
muito cheio do Todo…
Andando por aí,
sem rumo definido,
como o lixo jogado nas calçadas,
bebo das poças d’água da chuva,
durmo embaixo de viadutos,
durmo embaixo de árvores,
durmo embaixo de carros,
durmo sempre sonhando com
uma existência mais digna…
Minha coleira foi roubada,
meus donos foram embora,
minha morada não encontro mais,
sou chutado,
sou escurraçado,
sou ignorado,
sou desprezado,
sou por poucos ajudado,
sou por alguns alimentado,
sou por alguns novamente amado…
Eu sou aquele cachorro abandonado,
buscando a saciedade total
da fome,
buscando a saciedade total
da sede,
buscando um carinho,
buscando uma morada,
buscando amor,
buscando paz,
buscando descanso…
Talvez como aquele cachorro,
eu não encontre nada disso
e fique parado no meio de alguma
estrada em dia de chuva aguardando
um atropelamento…
Mas,
os faróis sempre estão acesos
e nenhum motorista quer atropelar
um sarnento tão fodido
quanto eu…
Continuarei latindo,
alguém um dia poderá
me notar.

Inominável Ser
UM CACHORRO
ABANDONADO
E PERDIDO




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