sábado, 17 de dezembro de 2016

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Por mais que eu queira sorrir,
um punhal alojado em minha
poética obscura alma tenebrosa
me indica o tortuoso caminho
das lágrimas.
Isso é pouco,
no entanto,
já que as demais punhaladas
são em meus pensamentos,
os quais dançam navegantes
por mares de ódios,
oceanos de tristezas,
lagoas de angústias,
cachoeiras de amarguras…
E chegam as noites,
as punhaladas são muito mais
duras com profundidades
bastante tenebrosas…
E chegam os dias,
as punhaladas são bem certeiras
em meio aos meus passos
no maldito asfalto dos grandes
cemitérios que são as ruas…
Sempre desconfio
de todos aqueles que muito
riem,
sorriem,
vivem na farra,
vivem na foda,
vivem na farsa…
Sempre desconfiei
dessa gente toda que
atrás de
“sexo,
drogas
e diversão”
se sentem proprietários
de um imenso rio
de felizes rostos
que mostram dentes
iguais a cavalos…
Sempre desconfiarei
de tais tolos arrombados,
arrombados
pela Deusa Mentira,
arrombados
pela Deusa Ilusão,
arrombados
pelo Grande Enganador
De Muitos Nomes
E De Nenhum Nome…
E ficarei na minha.
Calado.
Quieto.
Sozinho.
Gritando.
Irrequieto.
Acompanhado.
Ah,
quantos delírios passam aqui
por este meu recanto todo
sincero em ser um túmulo
de lágrimas,
mau-humor
e semblante fechado…
No entanto,
prefiro ser assim do que
um cavalo arrombado
com os dentes arreganhados
fingindo por aí
uma puta ilusória mentira
de existência feliz.
É,
eu sou assim,
um descalço eremita entre
todos que se deixam abraçar
por Aquele Enganador
acima citado.
Um Ser.
Um Inominável.

Inominável Ser
EREMITA
DE DENTES
CERRADOS




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