segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

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Sad Old Man - Dicky The One


O Velho traz consigo
um aparato de sacolas
todas feitas de limo envenenado
e lixo misturado aos resquícios
de seus sonhos destroçados.
O Velho rompe grinaldas
de flores mortas agora
perto de cemitérios abertos
para todos que um dia
muito sonharam
e muitos nadas realizaram.
O Velho rasteja incólume
por desertos cheios
de assombrosos predadores,
florestas habitadas por
dedicados carniceiros
e ruas por onde caminham
famintos roedores de carmas
e almas.
O Velho segue acompanhado
por perdedores de todas as eras
de heróicas sagas,
por abusadores das ambições próprias
que levaram-nos às valas
e por acusadores de sí mesmos
diante dos espelhos que dizem
todas as necessárias verdades
dentro dos corações de todas
as assassinas tempestades.
O Velho tem nos olhos
o peso dos pesos pregados
nas temporais paredes
do Labirinto Inacessível.
O Velho tem em cada linha
do desgastado rosto arrasado
as desesperadas palavras escritas
no Abismo Insondável.
O Velho tem em cada passo
dos grandes pés cheios de lágrimas
as inegáveis marcas indeléveis
da Cova Que Sempre Está Girando.
O Velho tem em sua cavernosa voz
saída da tumba d’alma dele
sementes que crescem sem parar
nos Jardins Leprosos.
O Velho adormece em uma
cama de capim
e negras flores.
O Velho desperta em uma
cama de areia
e roxos cactos.
O Velho se ergue
e olha para seu rosto
no Riacho Sanguinário.
O Velho
me vê.
Eu vejo
O Velho.
Eu Sou
O Velho.


Inominável Ser
O VELHO




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