quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

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Art by Maurizio Barraco


Rendo momentos de silêncios
a todos os trágicos roteiros,
trágicos desfechos,
trágicos voleios da carne,
da Humanidade
e do mundo que espirra
sangue abundantemente
acima de cada cidade.
Estou meditando em sangue,
recebendo as angústias
dos que agora se encontram
com desespero incinerante,
recebendo sempre os eventos
de um civilizado reino
de bárbaros nús para a
rubra radioatividade.
Eu vejo as ruas em sangue,
a menstruação diária da
fêmea que não é de ninguém.
Eu vejo rostos em sangue,
a menstruação nefasta de
sentimentos tremulantes.
Eu vejo corpos em sangue,
a menstruação jocosa de
desejos retumbantes.
Eu vejo a televisão em sangue,
a menstruação ferrada de
sensacionalismos dementes.
Eu vejo a Internet em sangue,
a menstruação pirada de
vaidades conflitantes.
É só sangue é só sangue é só sangue
e com sangue e com sangue e com sangue
em sangue em sangue em sangue
em meus sonhos,
em meus pesadelos,
em meus olhos abertos…
A sangria desatada é duradoura,
caminhando para a Eternidade…
Ou é Eterna e é a nossa
única Verdade mais
próxima?
Eu não tenho dúvidas
quanto a resposta
de tal pergunta a jorrar
mais do que nunca
nestes versos cheios de sangue
e muitas outras indagadoras
menstruações da minha
cadavérica mente.
E a sua resposta,
qual é,
sangrada leitora,
sangrado leitor?

Inominável Ser
A SANGRAR
E A POETIZAR
AQUI
ENTERRADO




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