sábado, 28 de janeiro de 2017

A Melancolia De Um Eterno Cemitério


Catacombs of Paris - Autoria Desconhecida


Os melancólicos ossos profetizam…

Os melancólicos ossos dançam…

Os melancólicos ossos cativam…

Os melancólicos ossos jogam…

Os melancólicos ossos cortam…

Os melancólicos ossos oprimem…

Os melancólicos ossos corroem…

Ossos tão melancólicos…

Ossos tão melancólicos…

Ossos tão melancólicos…

Neste cemitério, é tudo melancólico…

As grandes coisas ficaram
bem para trás,
os grandes sonhos morreram
no meio do palco
que fica ao lado
de toda sepultura
de cada sonho humano
enterrado.

Neste cemitério, é tudo melancólico…

As músicas belíssimas ouvidas
na distante infância
estão destruídas,
balões mágicos rasgados
pelo cruel passar dos dias,
fantásticos poderes caídos
aos pés de ídolos hoje
ridículos enterrados junto
com todos que hoje também
não mais os veneram

Neste cemitério, é tudo melancólico…

A altitude que almejada fora
no remoto passado nada tolo,
passado que se distanciou
das esperanças que se faziam
luzidias fogueiras de sorrisos,
hoje é uma defunta desesperada,
se debate na cova,
se revolta na cova,
se desgraça na cova,
como as esperanças de todos
os mortais.

Neste cemitério, é tudo melancólico…

Deus está lá morto na Viela
que leva o nome Dele,
Deuses estão mortos em alguns
cemitérios como este
(alguns aqui estão enterrados),
Anjos são mendigos pedindo
que todos hoje tenham uma
sincera fé no Pó venerado
pelo estúpido rebanho que
ainda lhes ouve,
Anjos estão enterrados,
O rebanho é amontoado de
zumbis deteriorando-se,
aqui mesmo tem ovelhas
e pastores de ovelhas
muito bem enterrados.

Neste cemitério, é tudo melancólico…

O Diabo somente fica fumando
o cigarro Dele por aqui,
O Diabo é outro zumbi de um
antigo lendário tempo onde
as altas fantasias reinavam
pelas fáceis medrosas mentes,
Demônios fazem tudo acima
de toda cova,
Demônios roubam,
Demônios enganam,
Demônios viciam,
Demônios guerreiam,
Demônios aprisionam,
Demônios escravizam,
Demônios matam,
Demônios enforcam,
Demônios estupram,
Demônios que não estão
no Inferno,
Demônios que não são
religiosas mentiras,
Demônios que não são
tenebrosos desenhos,
Demônios que são todos
os maiores habitantes daqui,
Demônios representados
por algo que não está longe,
Demônios sendo isto aqui
sem nenhum motivo para
disfarçarem o que fazem:

O Ser Humano.

Neste cemitério, tudo é melancólico…

E os cadáveres teimam em não
ficarem definitivamente
enterrados.

Inominável Ser
INOMINÁVEL
CADÁVER
ENTERRADO




Balada Da Masturbadora Solitária - Anne Sexton - Tradução: Jorge Sousa Braga



The end of the affair is always death.
She’s my workshop. Slippery eye,
out of the tribe of myself my breath
finds you gone. I horrify
those who stand by. I am fed.
At night, alone, I marry the bed.


Finger to finger, now she’s mine.
She’s not too far. She’s my encounter.
I beat her like a bell. I recline
in the bower where you used to mount her.
You borrowed me on the flowered spread.
At night, alone, I marry the bed.


Take for instance this night, my love,
that every single couple puts together
with a joint overturning, beneath, above,
the abundant two on sponge and feather,
kneeling and pushing, head to head.
At night alone, I marry the bed.


I break out of my body this way,
an annoying miracle. Could I
put the dream market on display?
I am spread out. I crucify.
My little plum is what you said.
At night, alone, I marry the bed.


Then my black-eyed rival came.
The lady of water, rising on the beach,
a piano at her fingertips, shame
on her lips and a flute’s speech.
And I was the knock-kneed broom instead.
At night, alone, I marry the bed.


She took you the way a woman takes
a bargain dress off the rack
and I broke the way a stone breaks.
I give back your books and fishing tack.
Today’s paper says that you are wed.
At night, alone, I marry the bed.


The boys and girls are one tonight.
They unbutton blouses. They unzip flies.
They take off shoes. They turn off the light.
The glimmering creatures are full of lies.
They are eating each other. They are overfed.
At night, alone, I marry the bed.




O final de um caso é sempre a morte.
Ela é a minha oficina. Olho escorregadio,
fora da tribo de mim mesma o meu fôlego
encontra-te ausente. Escandalizo
os que estão presentes. Estou saciada.
De noite, só, caso-me com a cama.


Dedo a dedo, agora é minha.
Ela não está demasiado longe. Ela é o meu encontro.
Toco-a como um sino. Reclino-me
no caramanchão onde costumavas montá-la.
Possuíste-me na colcha florida.
À noite, só, caso-me com a cama.


Toma por exemplo esta noite, meu amor,
em que cada casal mistura
com uma reviravolta conjunta, para baixo, para cima,
o dois abundante sobre esponja e pena,
ajoelhando-se e empurrando, cabeça contra cabeça.
De noite, só, caso-me com a cama.


Desta forma escapo do meu corpo,
um milagre irritante. Podia eu
colocar o mercado dos sonhos em exibição?
Espalho-me. Crucifico.
Minha pequena ameixa, dizias tu.
Á noite, só, caso-me com a cama.


Então chegou a minha rival de olhos escuros.
A dama de água, erguendo-se na praia,
um piano nas pontas dos dedos, vergonha
nos seus lábios e uma voz de flauta.
Entretanto, passei a ser a vassoura usada.
Á noite, só, caso-me com a cama.


Ela agarrou-te como uma mulher agarra
um vestido de saldo de uma estante
e eu parti da mesma forma que uma pedra parte.
Devolvo-te os teus livros e a tua cana de pesca.
No jornal de hoje dizem que és casado.
Á noite, só, caso-me com a cama.


Rapazes e raparigas são um esta noite.
Desabotoam blusas. Abrem fechos.
Descalçam sapatos. Apagam a luz.
As criaturas bruxuleantes estão cheias de mentiras.
Comem-se uns aos outros. Estão repletos.
Á noite, só, caso-me com a cama.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Draconian - Silent Winter



Compositores: Anders Jacobsson / Andreas Karlsson / Jerry Torstensson / Johan Ericson


I will darken these exhaulted summers,
and let you dwell in the blissful cold!
Heal yourself into pure realities...
explore the light from the other seal!


Whispering like the silent mouth of tomorrow...
Please give a cure for my sorrow!


Your radiance sparkles like fiery dust...
blisters in the wind of the absolute.
The satin web of thy imprisonment 
shackles the muse of dreams come true.


Your theatre stands empty now...
so we have lost you anyhow!


Luciferi - Eden’s rapture
Luciferi – Nighttime Angelicah


The Garden bloomed in bright colours…
and no angel passed through the silent tunnel.
The tears I weep lies frozen cold…
you’ve slipped away in the fire.
Embrace me now in my final breath…
Continue to grow, my flower of death!


Life is death’s theatre;
A flame of silent winter where you left me alone.
In the desolation of a broken promised land,
you’ve slipped away in it’s fire… in the fire.


In sadness, your mirthless winter…
I bring gold to those who dread the sun.
Within my tears grows a flower of truth,
and I gave my love to the eventide.


O amaranth, bloom in my heart…
They shall never keep us apart!


Luciferi – Fallen from heaven
Luciferi – Nighttime angelicah 


The Garden bloomed in nights colour…
And an angel passed through the silent tunnel.






.........


Eclosion Osseuse - Trëz



Os miseráveis dias tomam
conta de mim
como um câncer
a comer minhas entranhas
sem fim.
Câncer da mais maligna
natureza,
abrindo buracos
em meu cérebro,
em meus intestinos,
em meu coração,
pulmões,
rins,
pênis…
Câncer comendo
as minhas certezas,
as minhas incertezas,
os meus medos,
a minha coragem,
sonhos,
pesadelos,
verdades,
mentiras,
palavras,
silêncio…
Vil inimigo
de mim mesmo,
tolero esse câncer
que a destrutividade
de minha alma gera
das estranhas gavetas
do meu armário
de danos!
Tolero!
Tô lerdo!
Tô merda!
A cama do hospital
me aguarda,
mas nem tenho
suficiente dinheiro
para pagar a conta
de algum D'or
ou Sírio Libanês…
A fila do SUS
vai ser minha
última cova…
Isto se o câncer
for descoberto
e comprovado
com testes
que sejam sérios,
pois,
esta nefasta doença
é a…
Não vou aqui dizer,
não posso falar
Daquele Fantasma!


Inominável Ser
SILENCIANDO
ACERCA DAQUELE
FANTASMA




quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A Solitária Rosa Sobrevivente


Gothic Beauty - Elf In Mirror


Neste sonho de uma noite
onde os espinhos crescem
transpassando os jardins
mais obscuros d’alma minha,
agito meu coração
em pétalas caídas
por todo meu Ser.


Pétalas assim dispersas
por mim,
dispersas e divagando
com as sombras estranhas
da minha mente,
cada pensamento estando
ciente da penetração
dos espinhos em si.


Penetração bizarra,
ativando as ridículas
e também exclusivas
fornalhas de migalhas
que recebo das mortes
de minha essência diária
esvaindo-se como pó
de rosas esmagadas.


E as rosas sempre morrem,
as rosas dentro sempre
ficam a morrer
dentro dos obscuros jardins
de minha ferida alma…


Uma sobrevive.


Uma está sobrevivente.


Uma segue forte.


Uma segue poderosa.


Uma segue frondosa.


Uma segue digna.


Uma segue rija.


Uma segue singela.


Uma segue carinhosa.


Uma segue única.


Uma segue,
uma pequena rubra rosa,
ainda com espinhos,
porém,
repleta de temporadas
de ocultas estações
que em um
inexorável jardim meu
de secreta natureza
é regada continuamente
pelas próprias mãos
da Deusa Solidão.


A Deusa De Todo Poeta,
A Deusa De Toda Poetisa,
A Solitária Senhora,
que cuida da mais estranha
e obscura das rosas,
A Eterna Rosa Inominável,
que trago inatingível
pelas mortes das
outras rosas
dentro das esferas
e feras caminhantes
dos jardins meus onde
A Luz
não é bem-vinda.


Inominável Ser
CULTIVANDO
EM SUA SOLIDÃO
A ETERNIDADE
DE TAL ROSA