quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Prisioneira Do Inominável - Nayrha Lee




Estou fadada a naufragar
Sem fim
Nesse absoluto amor que me traga 
Para baixo
Estou findada a cair mais fundo
Neste abismo
Que para o mais profundo calabouço
Me arrebata.

Estou condenada a esta cela
Que é teu corpo
Presa nas grades 
Do teu dilacerado coração
Estou indo cada vez mais fundo
Pouco a pouco
Deixando para trás
Todo o pico alto da razão.

Estou indo,
Caindo
Na lava quente 
Que te incendeia
Estou imergindo
E me perdendo
Na tua mente
Que me queima.

E naufragando assim
Muito e freneticamente
Não há medo que me pare
Ou barreira que separe
Da entrada à minha frente 
Dos labirintos das tuas sombrias covas
E dos jardins escondidos
Nas tuas mais perfeitas e escritas obras.

Pois irei cavar-te fundo
Milhares e milhares de covas
No terreno caótico do teu coração
Que aos poucos se renova
E nelas irei plantar-te mudas 
Das minhas eternas rosas
E findar a tristeza e a escuridão
Que há muito tempo te devora. 

E de naufragar assim 
Tão fundo
Ei de esquecer-me completamente
Do meu pequeno mundo
Pois perdida nesse gigante labirinto
Por milhões de horas intermináveis
Serei sempre prisioneira
Dos teus poemas inomináveis.


By: Nayrha Lee

12-01-2017
00:40




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