sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Dizer Escuro - Ingeborg Bachmann - Tradução: Sephi Alter



Wie Orpheus spiel ich
auf den Saiten des Lebens den Tod
und in die Schönheit der Erde
und deiner Augen, die den Himmel verwalten,
weiß ich nur Dunkles zu sagen.

Vergiß nicht, daß auch du, plötzlich,
an jenem Morgen, als dein Lager
noch naß war von Tau und die Nelke
an deinem Herzen schlief,
den dunklen Fluß sahst,
der an dir vorbeizog.

Die Saite des Schweigens
gespannt auf die Welle von Blut,
griff ich dein tönendes Herz.
Verwandelt ward deine Locke
ins Schattenhaar der Nacht,
der Finsternis schwarze Flocken
beschneiten dein Antlitz.

Und ich gehör dir nicht zu.
Beide klagen wir nun.

Aber wie Orpheus weiß ich
auf der Seite des Todes das Leben
und mir blaut
dein für immer geschlossenes Aug.




Tal Orfeu toco
nas cordas da vida a morte
e na beleza da terra 
e dos teus olhos que mandam no céu,
só sei dizer escuro.

Não esqueças, que também tu, de repente,
naquela manhã, com a cama
ainda molhada de orvalho e o cravo
a dormir no coração, 
viste o rio escuro
a passar por ti.

Com a corda silêncio
tensa na onda de sangue,
agarro o teu coração.
Tuas madeixas mudavam,
tornavam-se cabelos de sombra da noite,
flocos negros de treva
nevavam no teu rosto.

E eu não sou tua pertença.
Ambos nos queixamos já.

Mas tal Orfeu sei
na borda da morte a vida,
e azula-se-me
o teu olhar para sempre fechado.









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