sábado, 25 de fevereiro de 2017

Soneto Premonitório - Alphonsus de Guimaraens Filho


Sobre este plano, liso chão, me deito
à maneira dos mortos. Que arrepio...
Que sensação estranha de outro frio,
como uma unha, me escalavra o peito...

Me deito aqui, no liso chão, e espreito...
Guardam as coisas, que do chão espio
crescerem para mim, num desafio,
não sei que grave gesto insatisfeito...

Tanto me habituei a estar comigo
que ir-me embora de mim me causa pena.
No liso chão deitado o corpo sente

um sossego de estar — de estar somente —
coisa que à grande inércia se condena,
pedra, talvez, de algum túmulo antigo...




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