domingo, 23 de abril de 2017

Cristo Gótica


Gothic Christ - Maurizio Barraco


Ela se sacrifica por nós
Ela sangra por nós
Ela geme por nós
Ela goza por nós
Maldita seja
A excelsa
Cordeira Arreganhada

Quero apenas fazer uma confissão
nesta madrugada de poucas chances
para alguma fé em alguma coisa
além da besta crucificada que
eu ainda teimo em ser
baseada na imagem daquele cara
que ficou pendurado bem bonito
naquela cruz de madeira
e morreu muito devagar

Ela se sacrifica por nós
Ela sangra por nós
Ela geme por nós
Ela goza por nós
Maldita seja
A esbelta
Cordeira Arreganhada

A confissão de um poeta maldito
tanto quanto a de uma prostituta
para com a sua buceta cansada
de tanta guerra de trepada
em tantas trepadas
equivale só ao momento de
extrema lucidez castradora
de sua caótica explosão costumeira

Ela se sacrifica por nós
Ela sangra por nós
Ela geme por nós
Ela goza por nós
Maldita seja
A esguia
Cordeira Arreganhada

E para quem me confesso?
Para quem dobro meus joelhos?
Para quê oro nesta porra de madrugada?
Por que estou assim agora?
Por que estou aqui agora?
Por que estou agindo assim agora?
Porque preciso beber um pouco
deste amargo vinho misturado
com o acre doce da amargura
para poder me sentir vivo
neste mundo de cadáveres ambulantes
de um ambulatório contaminado
pela AIDS Espiritual

Ela se sacrifica por nós
Ela sangra por nós
Ela geme por nós
Ela goza por nós
Maldita seja
A provocadora
Cordeira Arreganhada

Aidéticos espiritualmente
este é o diagnóstico dado pelo
médico encarcerado entre as pernas
daquela prostituta que se mutila
enquanto ora a um ídolo decadente
que não se mexe
que não a fode
que não a ouve
que não a quer
que não a vê
que nem mesmo sabe até que
está sendo chamado

Ela se sacrifica por nós
Ela sangra por nós
Ela geme por nós
Ela goza por nós
Maldita seja
A chamativa
Cordeira Arreganhada

Uma prostituta traída
uma prostituta retraída
uma prostituta crucificada
besta crucificada daquela
besta crucificada que há
dois mil anos vem sendo
idolatrada como a solução para
que paremos de cagar tudo
que comemos a cada segundo
de nossas crucificantes
existências de condenados
a este vale de merda

Ela se sacrifica por nós
Ela sangra por nós
Ela geme por nós
Ela goza por nós
Maldita seja
A justa
Cordeira Arreganhada

E o que eu confesso?
O que eu tenho a confessar?
O que eu quero confessar?
O que eu devo confessar?
O que eu pretendo confessar?
Simplificando toda esta bosta
de escrota poesia aqui regurgitada
confesso que o que eu quero confessar
é o meu sonho com uma
artística moldura de Cristo
uma Cristo Gótica de feminis formas
de abismais fornalhas em
incendiárias curvas
crucificada e a sangrar
que imagino sempre tocar
beber o sangue todo a me banhar
da cabeça aos pés
sugando cada ferida
chupando cada seio
gozando na cara da criatura
penetrando a buceta da
cordeira imolada que foi sacrificada
pela nossa ignorância
estupidez
e loucura
em ainda sermos uma Humanidade
dividida por um estúpido mensageiro
de palavras que hoje estão mortas

Ela se sacrifica por nós
Ela sangra por nós
Ela geme por nós
Ela goza por nós
Maldita seja
A santa
Cordeira Arreganhada

Minha Cristo Gótica
tão atraente
tão bela
tão estranha
tão sensual
tão perfeita
salvadora minha
salvadora tua
salvadora nossa
nesta escuridão de mundo
onde os cravos de todos os espinhos
estão rasgando nossos rabos
e perfurando nossos cus

Ela se sacrifica por nós
Ela sangra por nós
Ela geme por nós
Ela goza por nós
Maldita seja
A nossa
Cordeira Arreganhada

Assim é
em nome do meu pau
em nome do meu cuspe
em nome do meu esperma

AMÉM!!!

AMÉM!!!

AMÉM!!!

AMÉM!!!

AMÉM!!!

AMÉM!!!

AMÉM!!!

AMÉM!!!

AMÉM!!!

Inominável Ser
DEVOTO
DE UMA CRISTO
BEM GOSTOSA




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