segunda-feira, 10 de abril de 2017

Inferno - Francisco Joaquim Bingre



Há no centro da Terra ampla caverna, 
Reino imenso dos anjos rebelados, 
Lago horrendo de enxofres inflamados, 
Que acende o sopro da Vingança eterna. 

O seu fogo maldito é sem lucerna, 
Que faz trevas dos fumos condensados. 
Seus tectos e alçapões, enfarruscados, 
Não deixam lá entrar a luz externa. 

Silvosos gritos, hórridos lamentos, 
Blasfémias, maldições, desata o vício 
Bramando, sem cessar, em seus tormentos. 

Que imensos réus no eterno precipício 
Caindo estão, a todos os momentos! 
O Inferno sem fim, fatal suplício. 




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