sexta-feira, 19 de maio de 2017

Até Aquele Grande Dia, Florbela...



Florbela, Eterna Poetisa inspiradora da minha Cova…


As frias lembranças de coisas passadas
advém agora nesta carta-poema
sem nenhuma das pretensões
dos homens que almejam apenas
mulheres-objeto.
Você,
mulher,
é um objetivo alcançado
pelos que hoje se derramam
em poesias por ti ditadas,
é um objetivo que alcanço
em cada poesia que
aqui é enterrada,
um objetivo presente nas sepulturas
deste Portal Do Abismo onde
minha essência escorre por cada
lápide…


Aqui tem de tudo,
Florbela,
tanto das vivas flores que nascem
do meu sangue derramado
quanto das mortas folhas
que se amontoam sobre
os meus ossos esmagados.
Há Ruína
e Desordem;
Partidas
e Paradas;
Chegadas
e Desencontros;
Gemidos
e Gritos;
Pesadelos
e Sonhos;
Desespero
e Desejos;
Solidão
e Sofrimento;
Poesia
e Poesia
e Poesia…


Quanto mais passam os dias
neste decadente mundo insano
onde você caminha junto
com todos que te amam,
mais os versos a mim chegam
trazidos pelas Vozes que ouço
nos ventos…
Uma destas Vozes é a vossa,
um lamentoso sussurro,
Florbela,
agitando cada tumulto
da minha estranha alma
de poeta enredado
nos círculos e quadrados
da niilista geometria caótica
dos contemporâneos tempos
baratos,
bárbaros,
horrorosos,
imundos
e perversos.


Queria mesmo é estar contigo agora
no Vale Dos Poetas Perdidos,
ouvindo as declamações dos teus
poemas novos e antigos,
ouvindo os cânticos de alegria
de nossos amigos todos,
nossos Eternos Irmãos
na Deusa Poesia!
Porém,
Desgraçada Metáfora Existencial
nos separa agora nesta época
de irrealizações nesta esfera
de amotinadas idealizações
sufocadas…
Estou aqui sufocado
na solitária carne…
Estou aqui sufocado
na solitária mente…
Estou aqui sufocado
na solitária alma…
Morto neste Romance Da Cova
apreciado por loucos,
outros solitários,
outros perdidos
e infinitos fantasmas…


Seria preciso sair daqui de qualquer
modo…
Já pedi à Deusa Morte…
Já tentei a morte física…
Já quase me deram esta morte…
Contudo,
Florbela,
Algo Inominável ainda me prende
aqui nesta Terra,
uma Deusa,
um Deus
ou Demônios em forma
de Elevados Deuses
(o que dá na mesma)
me mantém aqui enjaulado
nesta prisão nefasta…
Um dia escapo,
naturalmente escapo
para contigo me encontrar
naquele Vale tão cheio
de versos caindo do firmamento!
Um dia,
Florbela!
Um dia,
Flor Bela!
Um dia,
Flor!
Um dia,
Bela!


Até tal dia,
Flor Bela
Que Me Espanca!


Até aquele dia,
Flor Bela
Que Espanca!


Até O Dia,
Flor Bela Espanca!

Com amor,
Inominável Ser.



sexta-feira
19 de maio de 2016
00:49 h





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