domingo, 21 de maio de 2017

Chaminés - Goes Mariano



Roubei um beijo na boca da noite.
De dentes finos e caninos brancos.
E ela sorriu. Se rio, como de um açoite,
Que lhe cravasse vincos sobre os flancos.

Virou-me a cara em meio à gargalhada.
Ouvi dizer que a noite é uma criança.
Ela saiu correndo na calçada,
Como de um pé de vento ou de uma dança.

Sentou depois, mais mansa, na poltrona,
Fumando turvos e densos narguilés,
Com ar escultural de beladona.

Tendo a cidade esparramada aos pés,
Num estado de coma ou de redoma,
Sob o ópio de tantas chaminés.

Anjos urbanos
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