sexta-feira, 23 de junho de 2017

Isto Não É Poesia, É Um Ato De Loucura


Photo by Haris Nukem

Basta tomarmos cachaça com vinho
Fumando charuto e maconha
Comendo açaí e feijoada
E fazermos o ritual invertido
De tomarmos conta apenas
De nossas miseráveis vizinhas
Para sabermos que o hospício
De onde todos viemos
Nunca terá as portas trancadas
E nele sempre seremos filhos
De encarnação
A encarnação
Neste maluco mundo condenado

Napoleão nunca foi tão louco
Hitler nunca foi tão mau
Bolsonaro nem é tão perigoso
Lula nem é tão inocente
E assim nem somos
Tão sadios mentalmente
Na verdade nem temos
Uma saúde mental decente
Sendo mais verdadeiro ainda
Nem temos sanidade 
Em nenhum lado
Das nossas mentes
Basta visualizarmos toda a nossa
Tão podre humana raça decadente
Exposta em suas fodidas entranhas
Na sensacionalista rede
Das câmaras
E das câmeras

Abaixemos as cabeças um pouco
Meditemos sobre cinzas sempre
E a certeza nada melindrosa
A certeza nada negligente
A surgir batendo em nossas
Batentes de idéias dementes
É a camisa-de-força que trajamos
Para almoçar
Para lanchar
Para jantar
Para o café da manhã
Para trepar
Para cagar
Para procriar
Para mijar
Para falar
Para vomitar

Somos vagões babões
E bastante bobões
Por novidades fresquinhas
Desta sociedade de ressentidos
De secas bucetas
E paus murchos
Uma horda de loucos
Uma turma de pirados
Uma turba de débeis mentais
Uma colônia de débeis existenciais
Se agarrando a pães com catarro
Lançados pelo diretor do
Terrestre hospício

Você tem dúvidas sobre o que eu
Estou falando?
Você duvida mesmo do que eu
Estou falando?
Você não entende o que eu
Estou falando?
Meça seu grau de entendimento
Meça seu grau de ressentimento
Meça seu grau de conhecimento
Meça seu grau de reconhecimento
Meça seu grau de cimento
Dentro de seus pensamentos
Engessados

Retire o gesso
Encontre
A LOUCURAAAAAAAAAA
A LOUCURAAAAAAAAAA
A LOUCURAAAAAAAAAA
Que é normal em todos nós
E não se desespere porque
A sala branca sempre vai ter
Um reservado lugar especial
Para mais um doidinho
Ou doidinha
Que se sente o tal 
Apenas por não comer
A própria merda que caga
Na privada ou na mata

Eu mesmo sou
LOUCOOOOOOOOOOOO
LOUCOOOOOOOOOOOO
LOUCOOOOOOOOOOOO
Mas não fico anunciando na rua
Isso fica entre aqueles
Que sabem que a loucura
É nossa querida menina amiga
De sempre tão amamentadora
Das nossas besteiras ilusórias
Na desordem urbana
Onde catamos latinhas de sonhos
Que mastigamos com bebidas
Sopradas pelo vento dos 
Choques de realidade na cara
E bem lá dentro
Bem lá dentro mesmo
Dos olhos de nossos cus

Inominável Ser
UM LOUCO
UM POETA
UM REALISTA




Reações:

0 Lamentos Finais De Cadáveres: