quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Olhos De Miséria


Lost In Misery - Nazrin-Polad


Permitem que eu veja
Tudo daqui,
Deste ponto de vista
Que de tão minúsculo
E desprezível
É tão mísero
Quanto toda a bosta
Que a civilizada corja
Garante ser evoluída.
Evolução
No olho do cu?
Evolução
No fundo da buceta?
Evolução
Onde?
Lá no México,
Uma mulher foi estuprada
E cortada em pedacinhos
Em um açougue;
Aqui no Brasil
Uma menina de seis anos
Foi estuprada
E morreu afogada
Após ser jogada
Em um rio
Dentro de uma mala;
Imaginemos agora
Qualquer crime hediondo
Ocorrendo em qualquer
Parte desta porra
Chamada Terra;
Imaginemos agora
Cada tipo de crime
Que a Raça Humana
É capaz de realizar
Neste exato momento
Em qualquer recanto
Deste odioso planeta;
Imaginemos…
Imaginaram
Comigo?
Imaginaram?
Ou pararam de ler
Este poema
Logo quando a realidade
Lhes foi vomitada
Na porra da cara?
E eu pergunto
De novo
Neste poema de rancor
Contra tudo que
Meus olhos permitem
Que eu veja:
VOCÊS IMAGINARAM
O CRIMINOSO SER
QUE NÓS,
SERES HUMANOS,
SOMOS???
IMAGINARAM???
IMAGINARAM???
IMAGINARAM???
Então,
Amigas Coveiras,
Amigos Coveiros,
Sabemos que chegamos
Ao ponto apocalíptico
Da nossa miserável
História!
O ponto
Final!
O ponto
Definitivo!
O ponto
Conclusivo!
O Final
Do Verme Homem!
A Definição
Da Extinção Humana!
A Conclusão
Do Funeral Humano!
Notamos
E sabemos
Que é assim
Que funciona.
Os demais…
Bem…
Os demais
Anunciam uma cegueira
Bem escandalosa,
Olhos arrancados
Desde o nascimento,
Paredes de uma cova
Já lhes arrastando
Direto para a morada
Em um cemitério.
E os nossos olhos,
Abertos para vermos
O enxame de misérias
Se acumulando em torno
De todo o mundo,
Nunca querem ficar
Quietos,
Fechados
E calados…
Sina de miseráveis
Como nós,
Os augustos fracassados
De miseráveis olhares
Para um horizonte
De podridão
E enterros.

Inominável Ser
SEMPRE
A OLHAR
O PODRE
E CADA
ENTERRO




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