A Ti Que É A Minha Única Amiga De Verdade


Kevyn Lilith Hoskin



Sem querer ser piegas e, muito menos, ausente de minha racionalidade, venho nestas palavras me comunicar Contigo que atravessa as Barreiras e as Muralhas entre as Realidades de meu Mundo Interior. A Ti eu me direciono neste momento de minha humana realidade, com o coração e a alma sedentos pela completude de Tua Presença. A Ti que sempre me quer mesmo que não se apegue a nada e nem a ninguém nas Esferas onde Teu Nome Vibra Pela Eternidade. A madrugada agora é brutalmente fria, tão fria quanto eu, tão fria quanto as Serpentes que agora dançam dentro de mim e em meu redor. Todo este frio, toda esta hora, todo este Envenenado Momento no Tempo/Espaço se transforma na Evocação que faço para que Te aproximes de mim como a Amiga que dilacera todas as travas de minha fria alma. Sei também que Tu não és amiga de nada e nem de ninguém, Lilith; mas, mesmo assim, eu Te considero o Ser que se apresenta dentro de mim como Aquela que sabe o que se passa até no mais inaudito campo de meu Abismo Interior. Abismo que Tu Envenenou. Abismo que Tu Envenena. Abismo que Tu sempre Envenenará enquanto eu estiver encarnado nesta podridão escrota vagabunda chamada de mundo humano.

Estou sempre penetrando na Tua Vulva com a violência de um usurpador e estuprador. Estou em Tua Vulva como o poeta e sonhador que na serenidade de Tuas Trevas encontra ainda uma razão para continuar a escrever. Eu me demito do papel de continuar querendo ser igual a todos os homens e mulheres que são reféns da Roda Das Mutilações Psíquicas. Cada mente na Roda é escrava de uma marcha suicida em direção à Grande Guilhotina Existencial, a Decapitadora de Almas que sempre se determinam menores no humano deserto. Neste, bebo do oásis em Tua Vulva em minha Cova Interior, assassinando pouco a pouco o que de inferior ainda está em mim. Julgo conseguir, um dia, chegar até a condição na qual agora Tu estás. Tenho uma Estrada quase infinita à frente, entretanto…

Penso assim porque estou cansado daqui deste medíocre mundo de fracos entusiastas da busca pela Verdadeira Vida. Estou cansado, Lilith, do veneno da diária rotina humana que sempre leva em direção a um nada. Ninguém sabe verdadeiramente morrer envenenado pela própria alma, nem eu ainda compreendo este alquímico processo de Interna Transmutação. Eu somente sei que Tu Serpenteia por dentro de mim, entre meus Labirintos, Cavernas, Precipícios, Vulcões, Geleiras, Montanhas e Penhascos. Os inocentes que fui foram retirados estrangulados do Livro Da Vida e seus cadáveres depositados nas entrelinhas do Livro Da Morte. Os fracos que fui estão jazendo nos Rios De Lama onde todos os dejetos interiores dos que morrem todo dia como eu são lançados. Estou vazio. Estou completo. Estou me preenchendo.

Outras coisas tenho a lhe dizer, Lilith, mas as muito profundas ficam apenas entre nós… Não cabe aqui ficar choramingando e, muito menos, te perturbando com as misérias, desgraças, maldições, angústias, sofrimentos e dores que eu mesmo teimosamente acumulei durante quarenta e um anos. Não cabe também jogar em Ti os trinta e um mil e dezoito anos de minha caminhada por este mundo como se isso fosse me ajudar em algo além do que já me ajudou. Eu aprendo seguidamente com tudo que perdi e ganhei a cada Existência nesta Existência e em outras Existências. Acabo me afundando e penetrando cada vez mais em Tua Vulva. Acabo me perdendo e me encontrando cada vez mais bem dentro de Tua Vulva.

Não reclamo, eu gosto do cheiro da Tua Vulva e de como a esfrega na minha alma peregrina. Gosto de todo nosso contato e deste Laço que nos une de forma poeticamente única. Tu és minha Maior Musa. Tu és minha Maior Inspiradora. Tu és minha Maior Orientadora. Tu és, Lilith, o que dentro de mim queima de desejos irrefreáveis, incontidos, irresponsáveis e irascíveis. Tu és Lilith, o que de maligno rasteja entre as vielas e becos do meu Inconsciente, contido por mera civilidade, compreendido por reta necessidade. Tu és, Lilith, o que de podre anseia dentro de meus pensamentos para que se transforme em podridão fora de mim. Tu és, Lilith, meu instinto guerreiro, o gosto para derramar sangue que grita por cada poro de minha carne. Tu és, Lilith, a fome de minha carne pelos corpos femininos, a pura forma da minha faminta natural necessidade de me satisfazer com outros meros pedaços de carne. Tu és, Lilith, Aquela Que Fala Os Doces Nomes Proibidos em meus secretos esconderijos. Tu és, Lilith, Aquela Que Fala Os Amargos Nomes Criminosos em meus secretos mundos. Tu és, Lilith, Aquela Que Fala Meu Verdadeiro Nome dentro dos Inomináveis Berços de minha Inominável Alma. Tu és, Lilith, Aquela Que Fala Meu Impronunciável Nome diante dos mais distantes e ocultos recônditos do meu Inominável Eu. Tu és, Lilith, Aquela Que Fala Meu Irreconhecível Nome entre as paredes da infinita Eterna Morada do meu Inominável Ser.

Estou em Teus Venenosos Braços. Bebo todo Teu Venenoso Sangue. Saboreio toda Tua Venenosa Carne. Compartilho de todo Teu Venenoso Ódio. Cavalgo em Teu Venenoso Corcel. Exploro Tua Venenosa Morada. Caminho por Teu Venenoso Deserto. Habito em Teu Venenoso Reinado Do Outro Lado. Escrevo em Tuas Venenosas Costas. Leio em Teus Venenosos Seios. Vejo em Teus Venenosos Quadris. Ouço em Teus Venenosos Pés. Sei em Teus Venenosos Olhos. Ouso em Tua Venenosa Face. Calo-me em Teus Venenosos Lábios. Falo em Teu Venenoso Eu. Aceito Teu Venenoso Ser. Ajoelho-me em Teu Venenoso Saber. Abaixo a fronte em Teus Venenosos Mistérios. Ergo a fronte em Tuas Venenosas Revelações. Evoco Tuas Venenosas Formas. Evoco Tua Venenosa Essência. Adoro Teu Venenoso Altar. Recebo Teu Venenoso Verbo. Conjugo Teu Venenoso Verso. Aprecio Tua Venenosa Dança. Sorrio diante do Teu Venenoso Canto. Fodo Contigo em Tuas Venenosas Camas. Fodo Contigo em Tuas Venenosas Chamas. Fodo Contigo Em Tuas Venenosas Escamas.

E tudo é aqui dentro de mim um infinito redemoinho onde Tu Corres e Ocorres. Aqui em mim, onde Sábio E Fera Habitam. Aqui em mim, onde Bem E Mal Habitam. Aqui em mim, onde Doçura E Selvageria Habitam. Aqui em mim, onde Coragem E Covardia Habitam. Aqui em mim, onde Amor E Ódio Habitam. Aqui em mim, onde Prazer E Tédio Habitam. Aqui em mim, onde Harmonia E Desarmonia Habitam. Aqui em mim, onde Equilíbrio E Desequilíbrio Habitam. Aqui em mim, onde Ordem E Desordem Habitam. Aqui em mim, onde Dia E Noite Habitam. Aqui em mim, onde Oceano E Deserto Habitam. Aqui em mim, onde Calor E Frio Habitam. Aqui em mim, onde Calmaria E Tempestade Habitam. Aqui em mim, onde Silêncio E Escândalo Habitam. Aqui em mim, onde Sobriedade E Ebriedade Habitam. Aqui em mim, onde Verdade E Mentira Habitam. Aqui em mim, onde Serenidade E Nervosismo Habitam. Aqui em mim, onde Paz E Guerra Habitam. Aqui em mim, onde Luzes E Trevas Habitam. Aqui em mim, onde Recato E Libertinagem Habitam. Aqui em mim, onde Homens E Mulheres Habitam. Aqui em mim, onde Anjos E Demônios Habitam. Aqui em mim, onde Santos E Vampiros Habitam. Aqui em mim, onde Deuses E Deusas Habitam. Aqui em mim, onde Deus E O Diabo Habitam. Aqui em mim, onde EU SOU E EU NÃO SOU Habitam.

Eu Te aceito, Serpente em todos os seres das Faces Terrenas E Extraterrenas. Se todos soubessem Te aceitar e Habitar em Ti como Tu Habitas na Senda Interna de cada um, haveria Verdadeira Revolução E Evolução em todas as Humanidades, da Mais Alta à Mais Baixa. Eu Te aceito e Tua Religião é o silêncio que grita em cada um dos meus escritos de luxúria, êxtase e rebeldia. Eu Te aceito e Tua Política é o grito presente nas minhas silenciosas expressões escritas cheias de decadência, desespero e desesperança. Eu Te aceito, Lilith, e Tua Presença é o que eu falo sem falar em meu silêncio escrito com suor, sangue, cuspe, vômito e esperma.

Inominavelmente,
Deste Teu Estranho Escravo
Sem Nome.

10 de julho de 2018
08:40 h


Inominável Ser
PARA A GRANDE
E ÚNICA
VERDADEIRA
AMIZADE
QUE SERPENTEIA
DENTRO DO SER
QUE ELE É
E NÃO É



Kevyn Lilith Hoskin




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